“Firmeza da vossa esperança” - 1 Tessalonicenses 1:3
“Lembrando-nos, sem cessar, diante do nosso Deus e Pai, da operosidade da vossa fé, da abnegação do vosso amor e da firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo.”
1. Tradição judaica
Na tradição judaica, a esperança não é uma expectativa vaga ou incerta, mas algo firme, baseado nas promessas de Deus.
O conceito hebraico de esperança, tikvá (תִּקְוָה), está intimamente ligado à confiança na fidelidade de Deus. Um exemplo claro está no livro de Jeremias, onde Deus diz: “Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós… pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que desejais.” (Jeremias 29:11).
Essa esperança é uma expectativa segura, baseada no caráter de Deus, que cumpre Suas promessas. Assim, a firmeza da esperança dos tessalonicenses está enraizada na confiança na fidelidade de Deus e nas promessas cumpridas em Cristo.
2. Contexto histórico
Paulo escreve aos Tessalonicenses em uma época de provação, onde ser cristão implicava em viver com incertezas em relação ao futuro, incluindo perseguições e exclusão social. Nesse contexto, “firmeza da esperança” significa que, mesmo diante de circunstâncias desafiadoras, os cristãos mantinham uma confiança inabalável nas promessas da volta de Cristo e da restauração completa de todas as coisas.
A esperança deles não era circunstancial, mas apontava para o futuro prometido por Deus.
3. Arqueológico
Tessalônica, sendo uma cidade sob o controle romano, tinha um forte culto ao imperador e uma população diversificada em termos de religiões. Viver como cristão, especialmente com a esperança na volta de Cristo, era um contraste cultural significativo.
As escavações mostram que a pressão social e religiosa naquela cidade era intensa. Assim, a firmeza dessa esperança cristã precisava resistir às influências externas de paganismo e culto imperial.
4. Cultural
Na cultura greco-romana, a ideia de esperança muitas vezes estava ligada ao destino ou à sorte, algo incerto e imprevisível. Para os cristãos, porém, a esperança era sólida porque não estava baseada no acaso ou em forças impessoais, mas na pessoa de Jesus Cristo.
Esse tipo de esperança trazia estabilidade emocional e espiritual para os crentes, em contraste com as incertezas do mundo ao seu redor.
5. Linguagem usada
A palavra grega usada para “esperança” aqui é ἐλπίς (elpis), que carrega a ideia de “expectativa confiante”.
Não é um desejo vago, mas uma confiança firme em algo garantido. Quando Paulo fala da “firmeza” da esperança, ele usa a ideia de estabilidade, indicando que essa esperança era algo que sustentava os cristãos, mantendo-os firmes apesar das dificuldades.
6. Temporal
Para os cristãos do primeiro século, a esperança estava centralizada no retorno de Cristo e na consumação do reino de Deus. Eles viviam numa época de grande expectativa escatológica, aguardando com perseverança a segunda vinda de Jesus.
A “firmeza” da esperança implicava em não se deixarem abalar pelas circunstâncias temporais, mantendo-se fixos na promessa futura da salvação plena e da justiça de Deus.