"Mas, apesar de maltratados e ultrajados em Filipos, como é do vosso conhecimento, tivemos ousada confiança em nosso Deus, para vos anunciar o evangelho de Deus, em meio a muita luta." 1 Tessalonicenses 2:2
Na tradição judaica, sofrer por Deus e pela fé é uma experiência comum entre os profetas e líderes do povo de Israel. Profetas como Jeremias, Elias e outros enfrentaram rejeição, perseguição e sofrimento enquanto proclamavam a palavra de Deus.
Paulo, como fariseu e profundo conhecedor da Lei, estava familiarizado com esse aspecto da fé: sofrer por ser fiel à missão divina. A confiança em Deus, mesmo em meio à perseguição, ecoa o exemplo de muitos que, ao longo da história judaica, mantiveram a fé mesmo em circunstâncias adversas.
Paulo menciona que ele e seus companheiros foram maltratados e ultrajados em Filipos, referindo-se à prisão e aos açoites que sofreram após expulsar um espírito de adivinhação de uma jovem escrava (Atos 16).
Apesar de serem cidadãos romanos, eles foram açoitados publicamente sem julgamento adequado. O contexto aqui reflete a resistência ao evangelho nas colônias romanas, onde a pregação de um novo "Rei" (Jesus) poderia ser vista como uma ameaça política e social.
Escavações em Filipos revelaram restos da prisão onde, segundo a tradição, Paulo e Silas foram encarcerados. As práticas romanas de açoite e prisão eram severas e humilhantes, especialmente para prisioneiros sem julgamento. O fato de Paulo e Silas serem açoitados sem julgamento mostra o desprezo que muitos tinham pelos seguidores de Jesus nas colônias romanas, onde o culto ao imperador e a religião romana eram dominantes.
Na cultura romana, ser publicamente açoitado e preso era uma forma de desonra pública. No entanto, Paulo e Silas não se deixaram abater pela humilhação; pelo contrário, usaram a situação como uma oportunidade de pregar o evangelho. A cultura romana valorizava a força e o poder, mas Paulo demonstrou que a verdadeira força vem de Deus, que capacita seus servos a pregarem com ousadia, mesmo em meio à dor e humilhação.
A expressão "maltratados e ultrajados" indica tanto o sofrimento físico quanto a humilhação pública que Paulo e Silas enfrentaram.
O termo "ousada confiança" no grego original (παρρησία - parrēsía) refere-se a uma coragem franca e destemida. Paulo não estava apenas pregando o evangelho, mas fazendo-o com ousadia, desafiando o medo e a oposição.
A palavra "luta" (ἀγών - agṓn) sugere um esforço intenso e contínuo, como em uma competição ou batalha, o que reflete a constante oposição que enfrentaram.
Paulo escreveu para os tessalonicenses para lembrar-lhes do que havia acontecido recentemente em Filipos. A menção ao "vosso conhecimento" sugere que os crentes de Tessalônica estavam bem cientes dos sofrimentos de Paulo, possivelmente porque essas histórias se espalhavam rapidamente entre as comunidades cristãs da época.
Apesar do recente sofrimento em Filipos, Paulo e seus companheiros mantiveram a coragem e continuaram a pregar com ousadia, mostrando que a missão de levar o evangelho era mais importante do que o medo das consequências.
Os tessalonicenses sabiam que seguir a Cristo não seria fácil. Ao ouvir sobre o sofrimento de Paulo e Silas em Filipos, eles entenderam que pregar e viver o evangelho envolvia sofrimento. O exemplo de Paulo os encorajava a não recuar diante das dificuldades. Em um mundo onde o culto ao imperador e as religiões pagãs dominavam, escolher seguir Jesus exigia coragem, determinação e confiança inabalável em Deus.
Essa passagem nos ensina a ter coragem em meio às adversidades. Paulo e Silas, mesmo após serem severamente maltratados e humilhados, não desistiram de sua missão. Em vez de sucumbirem ao medo, eles confiaram em Deus e continuaram a proclamar o evangelho com ousadia. Hoje, também enfrentamos lutas e resistências de diferentes formas. Somos chamados a perseverar, colocando nossa confiança em Deus e reconhecendo que Ele nos fortalece para continuar nossa missão, independentemente das circunstâncias.