O deserto havia se tornado o palco da mensagem mais poderosa que Israel ouviu desde o último profeta, Malaquias.
Depois de 400 anos de silêncio da parte de Deus, João Batista surgiu com um clamor que ecoava no coração das multidões: “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo!” Sua voz firme e completa de verdades chamava todas as críticas, apresentando o caminho para o Messias prometido.
Mas então, algo inesperado aconteceu. Entre os multidões que se aproximavam do Jordão, uma figura que ninguém esperava surge . Jesus.
Ele não vinha para ensinar, realizar milagres ou repreender. Ele vinha para ser batizado**.** Mas por quê? Se o batismo era um símbolo de reconhecimento do pecado, o que Jesus, o único sem pecado, estava fazendo ali?
Jesus, o único sem pecado, chega até João para ser batizado. João, desconcertado, tenta impedir: “Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” A reação dele faz todo sentido. Afinal, por que alguém que não tem pecado participaria de um ato que simbolizava arrependimento?
Mas Jesus responde com palavras que mudam tudo: “Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça.” João não discute mais. Ele sabia que algo muito maior estava acontecendo ali.
E, quando Jesus sai da água, os céus se abrem. Imagine essa cena: o Espírito Santo descendo como uma pomba e a voz de Deus declarando: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado.” Esse não era apenas um momento emocionante – era o início de uma nova era.
Imagine isso, no meio do deserto, um sol escaldante, o céu se abre! Guarde esse acontecimento, algo similar vai acontecer em Mateus 17 mostrando que Jesus é o cumprimento da lei e de tudo que foi dito pelos profetas.
Por que Jesus foi batizado? Ele não tinha pecados para confessar. A resposta está na frase: “cumprir toda a justiça.” Jesus estava se identificando conosco, assumindo o nosso lugar. Assim como no Antigo Testamento o sumo sacerdote passava por rituais de purificação antes de interceder pelo povo (Levítico 16), Jesus, o nosso Sumo Sacerdote, estava mostrando que Ele veio não para estar acima de nós, mas ao nosso lado.
Além disso, o batismo de Jesus aponta para sua missão como o "Servo Sofredor" descrito em Isaías 53, aquele que levaria sobre si os pecados do mundo. Desde o início, Jesus estava mostrando que sua jornada culminaria na cruz, onde Ele cumpriria plenamente a justiça de Deus.
O local do batismo não é um detalhe irrelevante. O rio Jordão tem um peso simbólico enorme na história de Israel. Foi pelo Jordão que Josué conduziu o povo à Terra Prometida (Josué 3:14-17). Agora, no mesmo rio, Jesus se apresenta como o verdadeiro libertador, aquele que nos levaria à verdadeira Terra Prometida – por meio do acesso ao Reino de Deus.
Este momento também ecoa o Êxodo. Assim como o povo atravessou o Mar Vermelho, simbolizando uma nova vida fora da escravidão do Egito, o batismo de Jesus no Jordão aponta para uma nova libertação em Cristo.