No episódio anterior…

Jesus desafiou tudo o que sabemos sobre poder e conquista. Ele declarou que os mansos – aqueles que confiam plenamente em Deus, em vez de se apoiarem em sua própria força – são os verdadeiros herdeiros da terra. Essa não era apenas uma promessa futura; era um chamado a viver uma nova realidade no Reino de Deus.

Agora, Ele continua com mais uma declaração que muda as regras do jogo:

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.”

1. Justiça como um anseio profundo

No contexto judaico, a justiça (tsedaqah) não era apenas um conceito legal ou moral. Ela era central na relação entre Deus e o Seu povo, refletindo a vontade de Deus sendo feita na Terra. Os salmistas clamavam por isso: “A minha alma tem sede de Deus” (Salmo 42:2) e “Bem-aventurado aquele que tem fome e sede de justiça” (Salmo 63:1).

Jesus retoma essa ideia, mas amplia sua profundidade. Ele fala de uma fome e sede que vão além de questões sociais – um desejo profundo de ver o mundo alinhado com os propósitos de Deus.

2. Um povo sedento por mudança

Os ouvintes de Jesus sabiam muito bem o que era sentir fome e sede. Para muitos, essas eram lutas literais em um contexto de pobreza e desigualdade.

Mas havia também uma fome espiritual. Eles viviam sob opressão romana e ansiavam por libertação. Esperavam um Messias que traria justiça política e social.

Jesus, no entanto, aponta para algo ainda maior: a justiça do Reino de Deus, onde todas as coisas são colocadas em ordem – não pela força humana, mas pela intervenção divina.

3. Fome e sede

As palavras “fome” e “sede” aqui não são usadas de forma simbólica ou leve. Elas falam de um desejo intenso, quase desesperador. Imagine estar no deserto sem água ou passar dias sem comer – essa é a intensidade que Jesus descreve.

Essa fome de justiça não é passiva; é um clamor por algo que apenas Deus pode suprir.

4. Implicações para o povo da época

Para os ouvintes, isso era uma promessa transformadora. Jesus dizia que aqueles que clamavam pela justiça de Deus – pela restauração, pelo conserto do que está errado – seriam atendidos.

Isso era especialmente poderoso para os marginalizados e oprimidos, que não podiam contar com sistemas humanos para corrigir as injustiças que enfrentavam diariamente.

5. O que isso significa para nós hoje?

Será que ainda temos essa fome e sede de justiça? Ou nos tornamos apáticos, aceitando as coisas como estão? Jesus nos chama a desejar profundamente o que é certo, a viver alinhados com o Reino de Deus e a confiar que Ele trará a verdadeira satisfação.