No episódio anterior…
Jesus nos levou a um lugar de profundo anseio. Ele falou sobre fome e sede – não de comida ou bebida, mas de justiça, da vontade de Deus sendo feita em nossas vidas e no mundo. Agora, Ele nos desafia a dar um passo além, a refletir o próprio coração de Deus em como tratamos os outros.
“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.”
Para os judeus, a misericórdia não era apenas uma virtude; era uma das características centrais de Deus. As Escrituras repetem muitas vezes que Ele é “compassivo e misericordioso” (Êxodo 34:6). Ser misericordioso, portanto, era mais do que uma escolha ética; era imitar o próprio caráter de Deus.
Jesus pega essa verdade profundamente enraizada e a leva ao próximo nível. Ele não apenas exalta a misericórdia como algo a ser praticado, mas conecta isso diretamente à experiência de receber a misericórdia divina.
Os ouvintes de Jesus viviam em um mundo brutal. A opressão romana não era conhecida por sua compaixão, e as estruturas sociais muitas vezes deixavam os mais fracos à margem. Até mesmo os líderes religiosos, com sua ênfase na lei, frequentemente negligenciavam a misericórdia em favor de uma rígida justiça legalista.
Quando Jesus declara que os misericordiosos são bem-aventurados, Ele está desafiando essa cultura impiedosa e apresentando o Reino de Deus como algo radicalmente diferente – um Reino onde a misericórdia reina.
A palavra grega usada para “misericordiosos” (eleemon) fala de compaixão ativa. Não é apenas sentir pena ou ter empatia, mas agir em favor de quem está em necessidade. É a combinação de graça, perdão e bondade expressas de forma tangível.
A promessa que acompanha a bem-aventurança – “porque alcançarão misericórdia” – não sugere que a misericórdia humana compra a divina. Em vez disso, ela aponta para o círculo perfeito do Reino: quem experimenta a misericórdia de Deus naturalmente a derrama sobre os outros, e essa prática reafirma e aprofunda sua conexão com a misericórdia divina.
Para os ouvintes, essa declaração era desafiadora. Muitos provavelmente estavam presos em um ciclo de ressentimento e ódio contra seus opressores, lutando para mostrar misericórdia mesmo aos seus próprios vizinhos. Jesus estava chamando-os a abandonar esse ciclo e adotar uma abordagem contracultural: “Sejam misericordiosos, como o Pai de vocês é misericordioso” (Lucas 6:36).
Mas essa promessa também era um consolo. Para os quebrados, os marginalizados e os rejeitados, Jesus estava dizendo: “No Reino dos céus, a misericórdia é a linguagem comum.”
Vivemos em uma sociedade que valoriza a força, a autoproteção e, muitas vezes, a vingança. Mas Jesus nos chama a um caminho mais elevado – um caminho de misericórdia. Ele nos lembra que todos somos dependentes da misericórdia de Deus e que essa misericórdia deve fluir de nós para os outros.
Será que temos sido rápidos em perdoar? Será que temos agido com compaixão para com os que estão em necessidade? Ou temos vivido com um coração endurecido, esquecendo o quanto dependemos da misericórdia de Deus?
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