No episódio anterior…
Jesus nos levou ao centro do relacionamento com Deus: um coração puro, sincero e inteiramente dedicado a Ele. Não era sobre aparências, mas sobre autenticidade – uma vida alinhada entre o interior e o exterior. Ele prometeu algo extraordinário: os puros de coração verão a Deus.
Agora, Ele apresenta uma nova bem-aventurança, uma que desafia nossas atitudes e nosso papel no mundo:
“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.”
No judaísmo, a paz – ou shalom – não era ausência de conflito, mas uma harmonia completa, tanto com Deus quanto com o próximo. Era a condição ideal para o povo de Deus, refletindo a restauração e a ordem divina.
Jesus não fala apenas sobre viver em paz, mas sobre ser uma pacificadora. Isso implica uma ação ativa para trazer reconciliação, curar divisões e promover harmonia. No Antigo Testamento, Isaías chamou o Messias de “Príncipe da Paz” (Isaías 9:6), e aqui Jesus convida Seus seguidores a refletirem esse mesmo espírito.
Os ouvintes de Jesus viviam em um cenário de tensões constantes. A opressão romana, as divisões políticas entre grupos como os zelotes e os saduceus, e as rivalidades religiosas criavam um ambiente marcado por hostilidade e conflito.
No meio disso, Jesus não chama seus seguidores para se armarem ou escolherem lados, mas para serem agentes de paz. Em um mundo onde todos buscavam confronto, Jesus propõe uma alternativa radical: a reconciliação.
A palavra grega usada para “pacificadores” (eirēnopoios) descreve aqueles que trabalham ativamente para construir a paz. Não é passividade, mas uma missão que exige esforço, coragem e entrega.
E a promessa é poderosa: os pacificadores serão chamados filhos de Deus. Eles refletem o caráter do Pai, que é o maior reconciliador, restaurando o relacionamento entre a humanidade e Ele mesmo.
Para os ouvintes, essa bem-aventurança desafiava a mentalidade da época. Muitos esperavam um Messias que liderasse uma revolta contra Roma, um libertador militar. Jesus, no entanto, apresenta o Reino como um lugar de reconciliação, onde os filhos de Deus não lutam com armas, mas com a paz.
Esse chamado exigia uma transformação de mentalidade: buscar não apenas a justiça, mas também a reconciliação.
Vivemos em um mundo dividido, onde conflitos se espalham desde a política até os relacionamentos pessoais. Jesus nos chama a sermos diferentes – não alimentando divisões, mas trabalhando ativamente para curar feridas e promover a paz.
Você tem sido um pacificador em sua casa, no trabalho ou em sua comunidade? Ou tem contribuído para alimentar conflitos e separações?