Jesus nos desafiou a sermos pacificadores, agentes de reconciliação em um mundo dividido e hostil. Ele revelou que aqueles que trabalham pela paz são chamados filhos de Deus, porque refletem o coração do Pai, o maior reconciliador.
Agora, Jesus dá um giro inesperado – e nos leva a um lugar de desconforto e desafio:
“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.”
Para os ouvintes de Jesus, a menção aos profetas era muito significativa. Os profetas de Israel eram homens chamados por Deus para anunciar Sua vontade, mas quase todos enfrentaram rejeição, perseguição e sofrimento.
Jeremias foi ridicularizado e preso (Jeremias 38:6). Elias foi perseguido pela rainha Jezabel (1 Reis 19:2-3). Isaías, segundo a tradição judaica, foi serrado ao meio. O sofrimento deles não era visto como fraqueza, mas como um testemunho de fidelidade à verdade divina.
Ao dizer que os perseguidos por causa da justiça compartilham o mesmo destino dos profetas, Jesus eleva o sofrimento por causa do Reino à categoria de honra.
Os seguidores de Jesus viviam em um mundo tenso e conflituoso. Sob o domínio romano, o povo judeu já enfrentava opressão política e religiosa. Mas Jesus está falando de algo específico: perseguição por causa da justiça – por viver os valores do Reino de Deus em um mundo que os rejeita.
Mais tarde, os primeiros cristãos experimentariam exatamente isso. Foram excluídos das sinagogas, perseguidos por romanos e até martirizados. O sofrimento por seguir Jesus não era um risco hipotético; era uma realidade iminente.
Jesus usa palavras que não deixam dúvidas sobre o custo de segui-lo. Ser perseguido significa enfrentar oposição ativa; ser injuriado envolve ataques verbais; ser alvo de mentiras é lidar com falsidades que distorcem a verdade.
Mas então vem a surpresa: “Alegrai-vos e exultai.” Essa declaração quebra qualquer lógica humana.
Como podemos nos alegrar no meio do sofrimento? Jesus aponta para duas razões: o Reino dos céus já pertence a quem sofre pela justiça, e há uma recompensa eterna que supera qualquer dor momentânea.
Para os ouvintes de Jesus, essa mensagem era um aviso e um encorajamento. O aviso era claro: seguir Jesus não seria fácil. O mundo rejeita aqueles que vivem pela justiça, porque isso expõe sua corrupção.
Mas também era um consolo. Saber que seu sofrimento os colocava na companhia dos profetas e que havia um galardão celestial lhes dava força para perseverar.
Vivemos em um mundo onde a rejeição pode não vir em forma de martírio, mas ainda enfrentamos oposição por viver os valores do Reino. Podemos ser ridicularizados, excluídos ou mal compreendidos.