No episódio anterior…

Jesus chamou seus discípulos a serem sal e luz no mundo – a fazerem a diferença onde há corrupção e trevas. Foi um chamado para viverem de maneira que apontasse para Deus, influenciando vidas com integridade e verdade.

Agora, Ele faz algo surpreendente: volta-se para a Lei e os Profetas, as bases da fé judaica, e explica como Seu Reino está profundamente ligado a tudo o que veio antes.

“Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir.”

1. A Lei e os Profetas no coração da fé

A Lei (Torá) e os Profetas formavam o alicerce da identidade judaica. A Lei, dada por Deus a Moisés no Sinai, não era apenas um conjunto de regras, mas uma expressão da vontade divina e do pacto de Deus com Seu povo. Os Profetas, por sua vez, chamavam Israel de volta à fidelidade à Lei e apontavam para o Messias vindouro.

Quando Jesus afirma que não veio revogar, mas cumprir a Lei, Ele está dizendo que Seu ministério não é uma ruptura, mas a realização de tudo o que a Escritura apontava. Ele é o cumprimento das promessas, o alvo para o qual a Lei e os Profetas sempre apontaram.

2. Uma expectativa distorcida

Muitos judeus da época esperavam que o Messias fosse um libertador político, alguém que trouxesse uma nova ordem e, talvez, até rejeitasse as antigas estruturas religiosas.

Ao dizer “não vim revogar, mas cumprir”, Jesus corrige essas expectativas. Ele não está trazendo algo totalmente novo, mas completando o que já estava incompleto. Ele não anula a Lei; Ele a vive de forma perfeita e revela seu verdadeiro significado.

3. Cumprir, não revogar

A palavra “cumprir” usada por Jesus (pleroo em grego) significa dar pleno significado, completar ou realizar. Ele está afirmando que tudo na Lei e nos Profetas encontra sua razão de ser n’Ele.

Por outro lado, “revogar” significa desconsiderar ou invalidar. Jesus deixa claro que Sua missão não é abolir, mas dar profundidade e perfeição ao que já foi revelado.

4. Implicações para o povo da época

Para os ouvintes, isso era revolucionário e desafiador. Muitos líderes religiosos interpretavam a Lei de maneira superficial, reduzindo-a a regras externas. Mas Jesus mostra que a verdadeira justiça vai além das ações externas e alcança o coração.

Ele diz algo que teria chocado a audiência: “Se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no Reino dos céus.” Para o povo, os fariseus eram os guardiões da Lei. Como poderiam superá-los?