No episódio anterior…
Jesus começou a expor as raízes profundas do pecado. Ele mostrou que o problema não está apenas nas ações externas, mas no coração humano – na ira, no desprezo e nos conflitos não resolvidos. Ele nos chamou a lidar com essas raízes e a buscar reconciliação como parte essencial da justiça do Reino.
Agora, Ele continua, tocando em dois temas que desafiam diretamente o coração e as relações humanas: o adultério e o divórcio. Mais uma vez, Ele amplia nossa compreensão da Lei, nos chamando a uma vida de pureza e fidelidade que começa no interior.
“Ouvistes o que foi dito… mas Eu vos digo”
“Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura no coração, já adulterou com ela.”
“Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. Eu, porém, vos digo que todo aquele que repudiar sua mulher, exceto por causa de infidelidade, a expõe a tornar-se adúltera.”
Jesus não suaviza a Lei; Ele vai ao âmago do problema. Ele nos lembra que a fidelidade não é apenas sobre ações, mas sobre intenções. E que o casamento não é apenas um contrato humano, mas uma aliança sagrada diante de Deus.
No judaísmo, o sétimo mandamento, “não adulterarás” (Êxodo 20:14), era interpretado de forma literal: o ato físico de trair o cônjuge. Da mesma forma, o divórcio era permitido, mas regulado pela Lei (Deuteronômio 24:1-4), onde o homem podia dar à mulher uma “carta de divórcio”.
Jesus não nega essas leis, mas vai além. Ele revela que a santidade do casamento começa muito antes de qualquer ato. É no coração que a fidelidade é construída – ou destruída.
Na época de Jesus, o divórcio havia se tornado um tema polêmico. Alguns rabinos defendiam que um homem podia se divorciar de sua esposa por motivos triviais . Essa banalização ia contra o propósito original de Deus para o casamento.
Jesus confronta essa cultura, chamando seus seguidores a uma visão mais elevada: o casamento como uma aliança inquebrável, reflexo do compromisso de Deus com o Seu povo.
Jesus usa palavras que cortam profundamente:
“Olhar com intenção impura”: O problema não é simplesmente ver, mas alimentar o desejo, permitindo que ele tome conta do coração.
“Se teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o”: Jesus usa uma linguagem hiperbólica para enfatizar a seriedade de lidar com o pecado. Não é literal, mas um chamado radical a cortar tudo o que nos leva ao erro.
No caso do divórcio, Ele deixa claro que o casamento é sagrado e que a separação só deve ocorrer em casos extremos, como a infidelidade.
Para os ouvintes, essas palavras eram tanto desafiadoras quanto esclarecedoras. Jesus não estava apenas protegendo o casamento como uma instituição, mas chamando a atenção para o coração humano, onde começa a infidelidade.