No episódio anterior…
Jesus nos desafiou a abandonar a espiritualidade de aparências. Ele nos ensinou que a verdadeira oração acontece no secreto, onde o Pai vê e recompensa. Agora, Ele vai ainda mais fundo: nos ensina como orar.
“Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome…”
Essas palavras não são apenas uma fórmula de oração, mas uma janela para o coração de Deus e um convite para vivermos como parte do Seu Reino.
Os judeus do tempo de Jesus já tinham uma forte tradição de oração. Oravam três vezes ao dia e usavam textos como o Shema (“Ouve, ó Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor”, Deuteronômio 6:4) para reafirmar sua fé.
Mas as orações muitas vezes eram longas e repetitivas, usadas mais para exibição do que para conexão verdadeira com Deus. Jesus corta isso e apresenta algo revolucionário: um Deus que não é apenas Senhor, mas Pai.
Ao ensinar “Pai nosso, que estás nos céus”, Ele redefine a relação com Deus. Não somos apenas súditos ou servos, mas filhos.
Para os ouvintes de Jesus, começar uma oração chamando Deus de “Pai” era tanto familiar quanto transformador. O conceito de Deus como Pai aparece no Antigo Testamento (Salmo 103:13), mas aqui Jesus torna isso pessoal e comunitário.
Ele nos convida a orar com um senso de proximidade (Pai) e reverência (que estás nos céus, santificado seja o teu nome). Ao mesmo tempo, Ele nos lembra que não estamos sozinhos: é Pai nosso, um chamado para viver em comunhão.
A oração do Pai Nosso é uma obra-prima de equilíbrio entre intimidade e reverência:
*“Santificado seja o teu nome”:* Um reconhecimento de que Deus é santo, acima de tudo.
“Venha o teu Reino”: Não é sobre nossos desejos, mas sobre o domínio de Deus sendo estabelecido.
“Seja feita a tua vontade”: Uma submissão completa ao plano de Deus, mesmo quando isso significa abrir mão dos próprios sonhos.
“O pão nosso de cada dia nos dá hoje”: Um pedido simples, mas profundo, que reconhece nossa dependência de Deus para suprir todas as necessidades.
E, talvez o mais desafiador: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.”
Para os ouvintes de Jesus, essas palavras eram um chamado à transformação. Eles estavam acostumados a orações cheias de formalidades, mas Jesus apresenta uma maneira de orar que toca o coração.