A noite está silenciosa em Nazaré, mas dentro de José há uma tempestade. Ele tenta dormir, mas as dúvidas não deixam. Como isso pôde acontecer? Maria, a mulher mais íntegra que conheço... grávida?

Então, ele sonha.

Uma presença divina invade sua mente. O ambiente muda, e uma voz clara e poderosa fala:

“José, filho de Davi, não temas receber Maria como tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe chamarás Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados.”

José acorda com o coração disparado. Mas antes que possa questionar, mais uma frase surge em sua memória: “Ele será chamado Emanuel, Deus conosco.”

Pensar isso hoje é muito facil de conceber, mas quando José ouviu isso, era um completo absurdo. Como Deus poderia estar conosco?


José tenta processar. A sociedade esperava dele uma atitude clara: abandonar Maria, proteger sua reputação, seguir em frente. Mas a mensagem do anjo muda tudo.

Agora ele sabe que Maria não o traiu, mas foi escolhida para algo inimaginável: carregar o Salvador do mundo. O menino que nascerá não é apenas um bebê; Ele será chamado Jesus, o Salvador, e Emanuel, Deus conosco.

Mas como alguém como eu pode ser parte de algo tão grandioso? José pensa. Ele é um simples carpinteiro, vivendo em uma vila insignificante. Como poderia ser o pai terreno do Messias?

Aqui está o conflito: obedecer à mensagem e aceitar seu papel, ou recuar diante da pressão social e do medo.


Enquanto José reflete, as palavras do anjo começam a fazer sentido: “Ele salvará o seu povo dos seus pecados.”

O Messias que todos esperavam não veio apenas para libertar Israel do domínio romano. Ele veio para oferecer algo infinitamente maior: a libertação do pecado, a salvação eterna.

Emanuel – Deus conosco – carrega um significado revolucionário. Para os judeus, Deus era santo e inalcançável. Ele habitava no Santo dos Santos, separado pelo véu do templo. Apenas o sumo sacerdote podia se aproximar, e mesmo assim, apenas uma vez por ano, com temor e sacrifícios.

Mas agora... Deus viria habitar entre eles, não em um templo, mas em carne e osso. O mesmo Deus que revelou sua glória a Moisés no monte Sinai agora caminharia ao lado de Seu povo, sentindo fome, cansaço e dor.

Pense na profundidade disso: o Criador do universo escolheu se aproximar da criação, não como um Rei distante, mas como um Salvador presente.

O criador sendo gerado no ventre da criatura.


As dúvidas de José começam a se dissipar. Ele percebe que, embora o plano de Deus pareça impossível de compreender, ele é perfeito.