No episódio anterior…
Jesus nos desafiou a escolher onde colocar o nosso tesouro(o que nos faz lembrar que todos temos tesouros). Ele revelou que o verdadeiro tesouro não é algo que podemos acumular ou proteger com cadeados, mas algo eterno, que transforma o coração. Ele nos chamou a escolher entre dois senhores – Deus ou as riquezas – e a investir no que realmente importa.
Agora, Ele vai direto ao ponto de uma das maiores lutas humanas: a ansiedade (esse não é uma questão recente)
Jesus toca em um tema que atravessa gerações: a preocupação com o amanhã, com o que comer, vestir, ou com as incertezas da vida.
Na tradição judaica, a provisão de Deus era uma verdade central. Desde o maná no deserto (Êxodo 16) até os salmos que exaltam o cuidado de Deus por todas as suas criaturas (Salmo 145:15-16), Israel sabia que Deus era o provedor.
Jesus se conecta a essa tradição, mas dá um passo mais profundo: Ele não apenas nos lembra que Deus cuida de nós, mas nos convida a viver como se realmente acreditássemos nisso.
“Olhai para as aves do céu, que não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Não valeis vós muito mais do que as aves?”
Os ouvintes de Jesus viviam em um mundo de instabilidade econômica e política (nós também vivemos). Muitos eram trabalhadores que viviam de um dia para o outro, dependendo do que ganhavam para garantir o pão diário.
Jesus não ignora essas dificuldades, mas aponta para algo maior: Deus, que cuida até dos detalhes mais simples da criação, não se esquecerá dos seus filhos. Ele fala sobre as aves e os lírios para trazer à mente imagens familiares e tranquilizadoras, mas com uma mensagem desafiadora: Por que tanta ansiedade, se Deus é fiel?
Jesus usa verbos que chamam à ação, mas de uma forma contracultural:
“Olhai” para as aves e para os lírios – uma pausa para contemplar a simplicidade da criação e confiar no cuidado do Criador.
“Buscai” em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça – uma inversão de prioridades que desafia o foco em preocupações terrenas.
“Não vos inquieteis” – Ele não diz isso como uma sugestão, mas como uma ordem que revela o desejo de Deus de nos libertar da ansiedade.
Para os ouvintes de Jesus, essas palavras eram ao mesmo tempo reconfortantes e desafiadoras. Era reconfortante saber que Deus os via, cuidava deles e estava no controle. Mas também era desafiador abandonar a preocupação, porque isso significava confiar completamente em Deus, mesmo em um mundo incerto.
A frase “basta ao dia o seu próprio mal” é um lembrete de que não podemos controlar o amanhã, mas podemos confiar no Deus que já está lá.