No episódio anterior…
Jesus nos apresentou duas realidades: o caminho largo, que conduz à perdição, e o caminho estreito, que leva à vida. Ele nos convidou a confiar no Pai, a viver segundo a regra de ouro e a tomar decisões que refletem os valores do Reino de Deus.
Agora, Ele vai direto ao cerne do discipulado: o que realmente define um seguidor de Cristo? Jesus nos adverte sobre os falsos profetas, aqueles que parecem verdadeiros por fora, mas cujo fruto revela algo muito diferente. Ele nos lembra que o verdadeiro discipulado não é sobre aparência ou palavras, mas sobre o alicerce sólido da obediência à Sua palavra.
Na tradição judaica, o fruto de uma árvore era frequentemente usado como metáfora para a vida e o caráter de uma pessoa. O Salmo 1 descreve o justo como uma árvore plantada junto a ribeiros de águas, que dá seu fruto no tempo certo.
Jesus continua essa tradição ao dizer: “Pelos seus frutos os conhecereis.” Ele nos ensina que o caráter de uma pessoa não é definido pelo que ela diz ou aparenta, mas pelo que ela produz em sua vida – suas ações, escolhas e impacto nos outros.
Na época de Jesus, falsos mestres eram um problema sério. Muitos usavam a religião para manipular, ganhar poder ou enriquecer. Esses líderes aparentavam ser piedosos, mas seus corações estavam longe de Deus.
Jesus alerta seus discípulos a estarem atentos: “Cuidado com os falsos profetas, que vêm até vós disfarçados em pele de ovelha, mas por dentro são lobos devoradores.” Ele os ensina a discernir não pelas palavras ou aparência, mas pelos frutos – pela vida que cada pessoa produz.
Jesus usa imagens poderosas para transmitir Sua mensagem:
Frutos bons e ruins: Assim como uma árvore saudável produz frutos bons, uma vida enraizada em Deus produz ações que refletem o Reino. Uma árvore doente, por outro lado, não pode esconder sua natureza – seus frutos revelam o que está por dentro.
Alicerces na rocha e na areia: Jesus conclui Seu ensino com uma parábola. Duas casas, aparentemente iguais, enfrentam a mesma tempestade. A diferença? Uma está firmada na rocha (a obediência à palavra de Deus), e a outra na areia (uma vida de aparência, sem verdadeira submissão).
Essas metáforas são um chamado claro à ação: ou construímos nossas vidas sobre a palavra de Deus, ou enfrentaremos a ruína quando as tempestades chegarem.
Para os ouvintes de Jesus, Suas palavras eram tanto um alerta quanto um convite. Ele estava cercado por multidões que o seguiam, mas nem todos estavam comprometidos. Alguns buscavam milagres, outros eram movidos pela curiosidade, mas poucos estavam prontos para construir suas vidas sobre a obediência a Ele.
A advertência sobre os falsos profetas também ecoava na cultura da época, onde líderes religiosos frequentemente exploravam o povo. Jesus desafia os ouvintes a discernirem cuidadosamente quem estavam seguindo.
Vivemos em um mundo onde aparências enganam facilmente. Redes sociais, discursos bonitos e até ações caridosas podem mascarar motivações erradas. Jesus nos chama a olhar além das palavras e das aparências e a examinar os frutos – tanto em nossa vida quanto na vida daqueles que seguimos.
Ele também nos lembra que uma fé verdadeira não é passiva. É uma construção diária, onde colocamos em prática o que ouvimos e seguimos Seu exemplo.