José estava no Egito, aguardando ansiosamente a próxima ordem de Deus. Quando finalmente veio a notícia: “Herodes morreu”, parecia ser o fim do perigo. Mas o retorno não seria simples.
Descobrindo que Arquelau governava a Judeia, José precisou confiar mais uma vez na direção divina. Um sonho o levou à Galileia, à humilde Nazaré, um lugar desprezado, mas que carregava um significado profundo: “Ele será chamado Nazareno.”
A escolha de Nazaré mostrava que o Messias seria identificado com os rejeitados, carregando desde o início o peso do desprezo , até a cruz.
A cena muda. Saímos da simplicidade de Nazaré e somos levados ao deserto da Judeia. O silêncio do deserto é quebrado por uma figura impressionante: João Batista. Ele não é um pregador comum.
Vestido com pele de camelo, comendo gafanhotos e mel, sua presença é tão inesperada quanto sua mensagem:
“Arrependam-se, porque o Reino dos céus está próximo!”
As multidões são atraídas por sua voz. Gente de toda parte vem ao Jordão, confessando seus pecados, sendo batizada por ele nas águas.
Não havia templos, púlpitos ou ministério de louvor. Apenas um homem e uma mensagem que mexia com o coração das pessoas.
Mas por que essa cena é tão poderosa?
João Batista não surgiu do nada. Ele era o cumprimento de Isaías 40:3: “Uma voz que clama no deserto: ‘Preparem o caminho do Senhor; endireitem no ermo uma estrada para o nosso Deus.’”
No contexto judaico, a água tinha um papel simbólico de purificação. Mas o batismo de João era algo novo. Ele chamava judeus – pessoas que já se consideravam o povo de Deus – ao arrependimento.
Ele dizia: “Não basta ser descendente de Abraão. Vocês precisam de um coração transformado.”
Era uma mensagem ousada. Era como dizer: “Tudo o que você achava que sabia sobre sua fé não é suficiente sem arrependimento verdadeiro.”
O deserto da Judeia era um lugar de simbolismo profundo. Foi ali que Israel vagou por 40 anos, onde Elias fugiu para ouvir a voz de Deus, e onde o povo frequentemente encontrava o Senhor em meio ao nada.
Agora, João surge nesse mesmo deserto para preparar o caminho para Jesus. Sua pregação direta, sua aparência simples e seu estilo de vida afastado do luxo fazia dele um contraste gritante com os líderes religiosos da época. Ele não buscava fama, mas chamava o povo para algo muito maior: um encontro com Deus.
João batizava no rio Jordão, um lugar carregado de significado para Israel. Foi pelo Jordão que Josué liderou o povo para entrar na Terra Prometida (Josué 3). Agora, o Jordão se tornava o palco de um novo começo – uma Terra Prometida espiritual.